Leite e derivados: sim ou não?Notícias de Saúde

Sábado, 09 de Maio de 2015 | 306 Visualizações

Desde há muitas gerações que o leite e derivados são alimentos recomendados para todas as idades. O teor de cálcio, fósforo, magnésio, proteínas e vitamina B1 fazem do leite e derivados alimentos completos e o seu consumo diário é recomendado pelas mais reputadas organizações internacionais. No entanto, existe também uma corrente de especialistas que defende que o consumo de leite pode acarretar alguns riscos para a saúde.

O que diz a Roda dos Alimentos

Segundo a Roda dos Alimentos, o grupo dos laticínios deve representar 18% dos alimentos que ingerimos diariamente - duas a três porções diárias. Em termos práticos, a população em geral deve ingerir duas porções de laticínios diariamente, sendo que crianças e adolescentes devem consumir três porções diárias.

De acordo com a Roda dos Alimentos, uma porção de leite corresponde a 250ml de leite (uma chávena almoçadeira), a um iogurte líquido ou a um iogurte sólido e meio. Duas fatias finas de queijo, um quarto de queijo fresco (de tamanho médio) ou meio requeijão (de tamanho médio) são equivalentes a uma porção.

Os defensores da ingestão de leite e derivados

Existem estudos científicos que defendem que a ingestão diária de leite e derivados, nas doses recomendadas, pode contribuir para prevenir a osteoporose, hipertensão arterial e diabetes tipo 2. Em conjunto com uma higiene oral eficaz, poderá também prevenir cáries dentárias. Pensa-se ainda que a ingestão de leite ajuda a melhorar a qualidade do sono por conter triptofano, aminoácido associado à produção do neurotransmissor serotonina que, por sua vez, é usado na produção de melatonina, hormona do sono.

Laticínios e cálcio

Assegurar a ingestão adequada de cálcio* desde a infância até à idade adulta ajuda a tornar os ossos fortes e a abrandar a perda óssea que surge com o avançar da idade. No entanto, de acordo com a Harvard School of Public Health, não é claro que precisemos de tanto cálcio como aquele que é recomendado a nível geral e, por outro lado, que os laticínios sejam a melhor fonte de cálcio para a maior parte das pessoas.

Os laticínios podem fazer mal?

O mesmo organismo alertou para o facto de que, embora o cálcio e os laticínios possam reduzir o risco de osteoporose e de cancro do cólon, consumi-los em doses elevadas poderiam aumentar o risco de cancro da próstata e, possivelmente, cancro do ovário. Para além deste facto, os laticínios podem ser ricos em gordura saturada e retinol (vitamina A) que, em níveis elevados e, paradoxalmente, podem enfraquecer os ossos.

Desta forma, a Harvard School of Public Health recomendou que é prudente limitar a ingestão de leite e derivados para apenas uma a duas doses diárias, no máximo, associadas a uma dieta equilibrada - o que forneceria o aporte diário de cálcio recomendado através de outros alimentos que não laticínios (como legumes de folha verde-escura, por exemplo). Aconselha também a prática de uma atividade física regular (caminhar ou correr, entre outras) como um fator essencial para construir e manter ossos fortes.

Devo limitar o meu consumo de leite e derivados?

Se tem dúvidas sobre se deve continuar a consumir leite e derivados, e porque cada caso é um caso, recorra ao seu nutricionista/dietista, que o poderá aconselhar.

*A ingestão de cálcio recomendada atualmente é de 1000mg diários entre os 19 e os 50 anos, 1200mg diários a partir dos 50 anos e 1300 mg diários para grávidas e lactantes.

Partilhar esta notícia
Referência